Meu filho não aceita perder: como ajudá-lo a lidar com a frustração

A brincadeira está tranquila até a criança perceber que pode perder. Nesse momento, ela muda as regras, acusa alguém de trapacear, abandona o jogo, chora ou joga as peças longe.

Diante disso, muitos pais se perguntam: “Por que meu filho reage dessa forma?” ou “Será que estamos fazendo algo errado?”.

Ter dificuldade para perder não significa, por si só, que a criança seja mimada ou tenha algum transtorno. Perder exige habilidades que ainda estão em desenvolvimento na infância, como controle dos impulsos, flexibilidade, capacidade de esperar e regulação emocional.

Por que perder pode ser tão difícil?

Para algumas crianças, perder não representa apenas o resultado de uma brincadeira. A derrota pode ser interpretada como:

“Eu não sou bom” , “Eu fracassei, ” “Vão rir de mim”, “Preciso ganhar para mostrar que sou capaz.”

Por isso, a reação pode ser maior do que o adulto esperava. Por trás da raiva, pode existir medo de errar, insegurança, perfeccionismo ou dificuldade para lidar com situações que não saem como a criança deseja.

Na prática clínica, também é comum observar que essa dificuldade vem acompanhada de outros comportamentos, como querer controlar as brincadeiras, mudar regras em benefício próprio, abandonar atividades difíceis ou apresentar muita resistência quando é contrariada.

Mais importante do que apenas corrigir o comportamento é compreender o que a criança ainda não consegue expressar ou organizar emocionalmente.

É normal a criança não aceitar perder?

Em algumas fases da infância, é esperado que a criança apresente dificuldade para esperar, compartilhar, seguir regras e aceitar frustrações.

O que precisa ser observado é a intensidade e a frequência dessas reações.

É importante perceber:

  • se a criança consegue se acalmar depois;
  • se as crises são muito prolongadas;
  • se agride, ofende ou quebra objetos;
  • se deixa de brincar por medo de perder;
  • se o comportamento prejudica amizades ou atividades escolares;
  • se a dificuldade acontece em diferentes ambientes.

Uma reação isolada não costuma ser motivo de preocupação. O ponto principal é perceber se a criança está conseguindo, aos poucos, aprender formas mais adequadas de atravessar a frustração.

Como os adultos podem ajudar?

Combine as regras antes de começar

Acolha a emoção e limite o comportamento

Não deixe a criança ganhar sempre

Mostre como você reage quando perde

Valorize a forma como a criança se recupera

O que deve ser evitado?

Frases como “você não sabe brincar”, “isso é feio” ou “ninguém vai querer brincar com você” podem aumentar a vergonha e a sensação de incapacidade.

Também é importante evitar longas explicações no auge da raiva. Primeiro, ajude a criança a se acalmar. Depois, converse de maneira breve sobre o que aconteceu e sobre como ela poderá reagir na próxima vez.

Quando procurar ajuda psicológica?

A avaliação psicológica pode ser importante quando as reações são muito intensas, frequentes ou prejudicam a convivência familiar, as amizades, a escola ou outras atividades.

A psicoterapia infantil pode ajudar a criança a desenvolver flexibilidade, controle dos impulsos, habilidades sociais e estratégias para lidar com erros e frustrações.

A orientação aos responsáveis também é fundamental, porque a criança aprende a regular suas emoções por meio da relação com os adultos que cuidam dela.

Aprender a perder também é aprender a continuar…

Ensinar uma criança a perder não significa fazê-la gostar da derrota.

Significa mostrar que ela pode se decepcionar sem se considerar incapaz, reconhecer a vitória do outro sem perder o próprio valor e tentar novamente depois de um resultado que não desejava.

A tolerância à frustração não nasce pronta. Ela é construída aos poucos, nas experiências cotidianas, com acolhimento, limites e oportunidades de aprendizagem.

Sou Kariane Messias, psicóloga clínica, com atuação em Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Infantil. Realizo atendimento psicológico infantil e orientação aos responsáveis na região da Pompeia, em São Paulo.

 

Kariane Messias | Psicóloga
CRP: 06/96056

Atuação em Psicologia Clínica, Terapia Cognitivo-Comportamental, saúde mental feminina, Psicologia Perinatal e Psicologia Infantil.

Atendimentos: presencialmente na região da Pompeia, em São Paulo, e online para mulheres em todo o Brasil.

Endereço: Rua Coronel Melo de Oliveira, 797, sala 4 – Pompéia/ São Paulo

WhatsApp: 011 995496394

Instagram: @psi.karianemessias

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ENCONTRE SEUS INTERESSES:

Powered by Joinchat